domingo, 9 de novembro de 2008

"Um Auto de Gil Vicente"


Um Auto de Gil Vicente é uma peça de Almeida Garrett representada pela primeira vez no teatro da Rua dos Condes, em 1838, em Lisboa, mas publicado apenas em 1841 em conjunto com Mérope. É a primeira obra do autor no plano de reinvenção do teatro português. Para tal, Garrett foi buscar Gil Vicente e a tradição vicentina. Este drama histórico é representado pela primeira vez em Agosto de 1838, no Teatro da Rua dos Condes.


A obra inclui várias personagens, Garcia de Resende, Paula Vicente, André de Resende. Nesta peça, evoca-se a corte de D. Manuel I e as duas grandes individualidades literárias que nela evoluíram: Bernardim Ribeiro (representante da poesia aristocrática) e Gil Vicente (defensor do teatro). Garrett conseguiu, assim, a proeza de abordar o Teatro através do teatro, tendo como pano de fundo os ensaios para a peça Cortes de Júpiter, escrita por Gil Vicente para celebrar a partida da Infanta D. Beatriz para Sabóia, onde se casaria com Carlos III.e o rei D. Manuel I para a evocar um passado de grandezas, não só materiais, mas também do teatro nacional.
a) GIL VICENTE: é evocado na peça como criador do teatro português – o homem que vive para a sua arte, portador da pureza da única arte social que está ainda próxima da natureza: o povo.
b) BERNARDIM RIBEIRO: homem da corte; desajustado da sociedade (corte) refugia-se na Natureza (Sintra), levando consigo um conflito: natural vs. artificial – símbolo do próprio poeta romântico.
c) D. MANUEL I: é o centro da corte, em redor do qual gira toda a artificialidade social. Contudo, o gosto pela Natureza, a bondade de pai, a tolerância como governante, a rejeição da Inquisição, a protecção às artes e à ciência (personificadas por Gil Vicente, Bernardim Ribeiro e Garcia de Resende) aproximam-no do «homem natural», colocando-o acima dessa artificialidade.
d) PAULA VICENTE: (personagem feminina) vive em função do amor.
e) INFANTA D. BEATRIZ: (personagem feminina): vive em função do amor.
f) PÊRO SÁFIO: um dos frequentes actores das peças de Gil Vicente representa a consciência da distância que existe entre o sonho e a realidade.
g) GARCIA DE RESENDE: escreveu a Miscelânea em redondilhas, curiosa anotação de personagens e de acontecimentos, nacionais e europeus. Mas o que o tornou conhecido foi o Cancioneiro Geral, em que reuniu as composições poéticas produzidas nas cortes de D. Afonso V (1438-81), D. João II e D. Manuel I, tendo-lhe redigido um prólogo dedicado ao príncipe D. João e composto as quarenta e oito trovas com que encerra a obra.
ACÇÃO

A peça não dá relevo à intensidade emotiva das personagens mais em foco: Paula Vicente amando em vão Bernardim, este a viver um forte conflito sentimental pois ama a princesa que vai casar com Carlos de Sabóia e D. Beatriz, obrigada a unir o seu destino a um homem que não conhece, amando apaixonadamente o poeta das "Saudades".

Divisão em três actos: A peça é dividida em três actos, sendo que cada um se desenrola num espaço diferente.

Primeiro acto - O primeiro passa-se em Sintra onde Pêro Sáfio, um dos frequentes actores das peças de Gil Vicente, ensaia a sua participação nas Cortes de Júpiter. É então que surge Bernardim Ribeiro a quem Sáfio confidencia que durante a representação, uma moura de nome Taes, envergando uma máscara, entregaria um anel a D. Beatriz. Bernardim, apaixonado por D. Beatriz, arquitecta o plano de assumir a personagem de Taes para se poder aproximar da Infanta. No mesmo acto, contracenam Paula Vicente e Dona Beatriz, confessando esta última o grande amor que nutre pelo poeta de Menina e Moça.
Segundo acto - No segundo acto, desenrolado nos Paços da Ribeira, assistem-se aos preparativos da representação: Gil Vicente e Paula Vicente não gostam do ensaio de Joana do Taco, destacada para interpretar Taes. Bernardim aparece disfarçado e pede para falar com Gil Vicente, pedindo-lhe o papel da moura. Mediante a interferência de Paula, Gil acede. Inicia-se a apresentação da peça com a presença de D. Manuel I e dos altos dignatários da Corte, entre os quais Garcia de Resende. Quando Bernardim entra em cena, modifica as falas da moura, conferindo-lhes um grande lirismo. O Rei percebe que se trata de Bernardim e manda interromper a representação, retirando-se com enfado, sem se aperceber que D. Beatriz tinha desmaiado.
Terceiro acto - O terceiro acto passa-se a bordo do Galeão Santa Catarina que levará a Infanta ao seu destino. D. Manuel vem despedir-se da sua filha e traz consigo Chatel, o seu Secretário, que demonstra algumas desconfianças sobre a postura da Infanta. Por intermédio de Paula Vicente, Bernardim consegue visitar D.Beatriz a quem declara o seu amor.
Recorrente Nocturno - 11ºCHLH

2 comentários:

aseret disse...

Os alunos não conseguem entrar e comentar.
Professora Teresa

aseret disse...

Agradecia que incluíssem a possibilidade de "Anónimo",quando se pretende deixar um comentário ou um texto, tal como consta no blog de Ciências, de contrário, e, após várias tentativas, os alunos desistem de comentar ou introduzir textos.
Teresa