domingo, 19 de abril de 2009

O (in)sustentável prazer de ler

Ler… Será um prazer sustentável ou insustentável? Ler, ler, até não podermos mais, ou, por outro lado, não ter tempo ou paciência, muito menos vontade. Será que o prazer de ler é sustentável? Ou será que é insustentável?
Na verdade, hoje em dia, a maioria das pessoas queixa-se com falta de tempo, para isto e para aquilo, porque trabalham o dia todo, chegam a casa e têm que tratar das tarefas caseiras, dar atenção aos filhos e, claro, ver a novela da noite, da qual é importante não perder um único episódio. E, depois de tudo isto, haverá tempo para ler? Não creio. Agora no caso dos estudantes, o que acontece? Será que terão algum tempo livre para ler? Acontece o seguinte: os jovens, na actualidade, saem da escola, têm de estudar ou trabalhos para fazer, ocupem muito ou pouco tempo, o tempo restante é para descontraírem e fazerem coisas diferentes, como ouvir música, ver televisão, irem ao Messenger, sair com os amigos… Assim é fácil deduzir que ler não importa, é “chato”, aborrecido, é uma verdadeira perda de tempo. Basta ler quando se é obrigado!...
Analisando bem o caso, o prazer de ler é inexistente. Na opinião de uns não há tempo, na de outros é tempo perdido, na minha, acho que quem tem gosto pela leitura arranja sempre um tempinho, é super importante ler!
Mas há um aspecto curioso, que surge da análise desta matéria: o que se entende por sustentável prazer de ler? E por insustentável?
Ora, para cada uma das perguntas vejo duas hipóteses: por um lado, o prazer pode ser sustentável, na medida em que o facto de possuirmos um intenso prazer de ler e sermos verdadeiras devoradoras de livros, isso não nos causa qualquer transtorno, nem à saúde, nem à carteira, se soubermos gerir o tempo, se controlarmos o prazer. Por outro, pode-se entender por ‘sustentável prazer de ler’, o facto de as pessoas não quererem ler e arranjarem desculpas como: “não tenho tempo”, “não tenho paciência” ou “é uma perda de tempo”. Nestes termos, o prazer é sustentável, bastante sustentável até, uma vez que, as pessoas em causa, não têm sequer o hábito, não possuem o vício, logo não são prejudicados economicamente. Ficam sem conhecimento mas ao menos não têm que ocupar o tempo livre a ler.
Já em resposta à segunda pergunta, o prazer de ler pode ser insustentável, pois se há alguém que é verdadeiramente viciado, isso pode ser bastante prejudicial, por exemplo. No caso de alguém que tem o hábito de devorar livros e, cada vez que tiver oportunidade, comprar um, pode ser prejudicial, pois pode haver coisas mais importantes para comprar, ou deixar de fazer uma coisa super importante, para ler. Decorre que do nosso vício de ler, podemos acabar por comprar um livro caro de que até não gostamos muito. Ainda de outra forma, pode existir a obrigação de ler, sem qualquer prazer, lemos apenas porque temos que ler, porque somos obrigados.
Em suma, qualquer que seja a situação, quer esteja presente ou não o prazer e o gosto pela leitura, traz desvantagens quando há excessos em demasia.
Certo é que ler é importante: alarga a cultura, aprofunda os conhecimentos, alarga os horizontes da imaginação. E quem tem o prazer de ler, deve fazê-lo, quem o não tem deve ler também. E em cada acto deve ter-se a consciência de que tudo o que é em excesso prejudica, quer duma maneira quer de outra.
Daí o sentido de ‘sustentável’ e ‘insustentável’ terem, cada um, sentidos opostos, ambos podendo ter as suas vantagens e desvantagens.
Cabe, pois, a cada um, perceber se o seu prazer é sustentável ou não.

Ana Escobar, 11.ºCHLH, Novembro/2008

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