domingo, 3 de maio de 2009

Livro de contos de António Sá Gué – “Montes Ermos” - A minha leitura do conto

O FORMIGUEIRO
A TRINCADEIRA
MAS DIZEM QUE:

. “Num rebanho há sempre uma ovelha ranhosa”,
logo também há formigas “Assassinas” e “escravistas”;


Esta Trincadeira:

. abelhava incessantemente no Verão;
. abarratova o armazém comunitário do formigueiro;
. deitava-se regaladamente numa das câmaras e comia na adega, no Inverno;
. orgulhava-se dos seus valores morais;
. era adepta fervorosa da trofalaxia;
. tinha bom coração;
. era um pouco doidivana;
. trabalhava muito e pensava pouco;
. era muito rabiga;
. tinha pouco jeito para Matemática e Engenharia de construção;
. tinha grandes projectos;
. tinha fibra;
. no formigueiro, salvou-se de uma inundação, subindo para o ponto mais alto e esperou que a tempestade amainasse;
. construiu novo formigueiro, na cortinha de João Carranço;
. fez, ainda, formação profissional (no período larvar);


Importante dizer que no Formigueiro:

. as tarefas são partilhadas;
. tudo é ensinado com espírito cooperativo;
. conhecem-se os direitos e deveres profissionais;
. aprende-se a engenharia de construção;
. aprende-se a interpretar feromonas.

De novo, a Trincadeira:

. teve curta vida;
. descobriu ter como descendente a vespa, quando leu a “Verdadeira História dos Formicídios;
. leu também “A origem das espécies” de Darwin, quando deixou de ser larva e detestou;
. decidiu alertar o formigueiro sobre a ditadura química, o “ignorantismo” secular que lhes empedernia os cérebros (antenas) e desmascarar o evolucionista…;
. o seu lema cantante passou a ser:
“NÓS FORMIGAS, TAMBÉM SOMOS SERES PENSANTES!”

Mas as outras:
. não a ouviam;
. faziam sorrisos escarninhos;
. deitavam olhares desconfiados;
. criticavam: “Porque é que ela tem tanta necessidade de se afirmar?”

A Trincadeira resistiu:

. escreveu artigos de opinião;
. pintou murais com fases revolucionárias;
. fez um cartaz: “ Abaixo as amarras químicas, viva a liberdade!”

Mas as outras:

. não a levavam a sério;
. achavam - na infantil e com mau feitio;
. riam-se;
. desdenhavam.

E foi assim que ela, a Formiga Trincadeira:

. durante luas e luas andou descorçoada;
. decidiu que queria VOAR, revolucionar!
. desgastou-se, cansou-se;
. desistiu “ Se não os podes vencer, junta-te a eles”;
. passou a ser adepta do evolucionismo, de Darwin;
. detestou as feromonas que a faziam apegar ao chão;
. auto-convenceu-se;
. revoltou-se contra o criador pelos instintos que sentia;
. resistiu à prisão química;


E um dia, nos princípios de Setembro, viu um espectáculo divino:

. uma chusma de formigas aladas envolvia-se num frenesim copular;

ENTÃO

. desiludiu-se e ficou depressiva ao constatar que só ela não podia VOAR!
. esmoreceu;
. voltou à sua condição de formiga;
. deixou-se guiar pelos odores feromonais;
. cumpriu a vidinha de formiga;
. cortou folhas, arrastou sementes e suou pelas ribanceiras fora;

E um dia a Natureza, no Outono:

. transformou-a em ALUDA;
. ganhou ASAS;
. subiu à superfície e bateu as asas;
. voou, voou, subiu, lá no alto esqueceu tudo!...
. copulou com uma rainha…
E de Repente

. perdeu as ASAS;
. não aguentou a queda;
. “não devia ter subido tão alto”, pensou.
Assim, a Trincadeira tornou-se Ícaro

E

O Sonho desmedido destruiu-a!

Mas cumpriu-o!

.Afinal, conseguiu VOAR!!!

Logo, para terminar a versejar, o meu poema para António Sá Gué:

TRINCADEIRA RABIGA,
CONTESTÁRIA, COITADA!
QUIS VOAR,
MAS DEUS E O HOMEM CASTIGA.
E A FORMIGA COM CLASSE,
ALUDA E PRÓXIMA DA RAINHA,
ANDA COMIGO DE MÃO DADA,
FAZ-ME ARDER OS OLHOS A ESTUDAR,
E FAZ-ME CÓCEGAS A SONHAR.

PORQUE A VERDADE QUE EU TAMBÉM QUERO
É A DE UM DIA SER ALUDA
E ASSIM PODER VOAR!!!
Ana Marcela Félix, 11.ºCHLH, n.º2

1 comentário:

António Sá Gué disse...

Dizem os sábios que "querer é poder", e quando se quer não há obstáculos. Todos podemos voar, basta querer.
Vai, força... voa!

Abraço!